Genética pode ser aliada para a perda de peso?
Além das características de comportamento e psicológicas, fatores genéticos explicam porque mudanças de dieta e estilo de vida são melhores para uns do que para outros
A genética cada ver mais se aproxima do dia a dia das pessoas e pode
ser uma grande aliada para uma perda de peso efetiva e para uma vida
saudável. Hoje, se sabe que intervenções na dieta e no estilo de vida
são muitas vezes efetivas para se atingir a meta da perda de peso. No
entanto, a variabilidade individual na resposta às dietas e até mesmo
atividades físicas acabam dificultando em alguns casos o emagrecimento.
Além
das características de comportamento e psicológicas, alguns fatores
genéticos podem explicar porque as mudanças de dieta e de estilo de vida
são mais efetivas para uns do que para outros. Por esse motivo, agora,
as linhas de pesquisa que visam desenvolver novas técnicas para perda de
peso efetiva estão recorrendo à genética como uma ferramenta para o
sucesso do tratamento da obesidade e sobrepeso.
Com o crescente
número de estudos realizados para se entender cada vez mais o genoma
humano, importantes genes associados à obesidade e sobrepeso foram
identificados, mas o grande desafio é colocar esse conhecimento na
prática e no dia a dia das pessoas. É possível melhorar os resultados da
dieta utilizando a genética? Sim e de maneira relativamente simples e
efetiva.
Um artigo publicado esse mês no The American Journal of
Clinical Nutrition demonstra através de estudos clínicos a importância
do conhecimento da genética individual para o combate a obesidade. O
gene de destaque na pesquisa é o FTO (fat mass and obesity–associated
gene). Esse gene foi o primeiro descrito como associado à obesidade
multifatorial e cada novo estudo ressalta ainda mais sua importância.
Algumas
características em que o FTO parece estar envolvido são: aumento da
ingestão de comida e grande dificuldade de saciedade, além do maior
acúmulo de gordura corporal. Quem possui uma variante desse gene
apresenta uma predisposição aumentada para obesidade e sobrepeso e a
presença dessa variante está associada à alguns quilos a mais no peso
total dessas pessoas. Nesses casos, a dieta deve ser individualizada
pois quem possui essa variante não responde bem a uma dieta com grande
quantidade de gordura como a cetogênica (com base na eliminação dos
carboidratos da sua alimentação), por exemplo.
Com essa informação o que pode ser feito?
O que o estudo realizado na Harvard Medical School e outros centros de
colaboração demonstra é que, apesar da variante do gene FTO aumentar as
chances de obesidade, ela obteve uma resposta muito melhor quando esses
indivíduos foram submetidos a uma dieta e atividade física de maneira
supervisionada. Essas pessoas que apresentam a variação tiveram uma
resposta mais rápida e uma maior perda de peso.
Esse estudo
pioneiro em nutrigenômica mostrou que um fator que parece maléfico no
primeiro momento pode se tornar muito positivo e um grande estimulo a
mais para que se tenha foco e persistência. Duas características
essenciais para uma vida saudável e equilibrada.
Fonte: Globo Esporte


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